“E a quem diga que perde-se é caminho, mas eu ando tão sem rumo. Como se vagasse pela tal vida, sem nenhum propósito, sem nenhuma explicação. Dúvidas e mais dúvidas me importunam o pensamento. Mas fico aqui esperando um sinal, esperando a estrada se desenrolar, enquanto me afundo nessa bagunça. Labirinto sou, estou me perdendo aos poucos em mim, sou tão confusa. Sou a incerteza que ninguém quer ter, por isso vago sozinha, buscando algo, que cá entre nós não faço ideia do que seja. Sou a tal incógnita do problema de matemática, que ninguém sente vontade de desvendar, do resultado instigante. Sou o nada que se finge de tudo, mas precisamente o meio termo. Deixo levar-me por olhares e tenho uma queda por sorrisos, gosto de coisas simples e de pessoas complexas. Desafios me encantam, porém mistérios me atraem. Me sinto bem na claridade, mas a escuridão é meu porto seguro. Gosto do café amargo, para combinar com o gostinho azedo da vida. Não sou meiga, nem tão pouco doce, estou mais para sei lá. Não sou flor que se cheire, já dizia minha mãe, sou vingativa com uma pitadinha de maldade. Depois de tantas quedas e decepções, me sinto um pouco mais forte, mas ao mesmo tempo tão insegura. Não me sinto normal, nem tão pouco anormal, vivo no meio termo, para falar a verdade não me importo em ser assim, não me importo de sofrer um pouco para colher coisas boas ao fim. Só quero viver do meu jeito e sentir a adrenalina pulsando em minhas veias, não quero ser o enfeite feio de estante de ninguém. Coleciono de tudo um pouco, de tristezas até CDs. Não sou interessante e nem tão pouco apaixonante, mas como dizem tem doido para tudo. Mas não me encare como cubo magico que você bagunça e depois não consegue resolver, e por fim me joga em um canto qualquer. Na minha testa deixo estampado “PERIGO, CUIDADO!” assim me poupo de pessoas vazias e o tal vai e vem contaste, deixando espaço para pessoas que realmente merecem algum valor e que são corajosas […] Sem rumo estou, mas não tenho preguiça de me achar, estou fazendo isso aos poucos, em um processo lento e graduante.” (ultimo-cigarro)